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Durante décadas, investir em hotelaria foi tratado como uma equação relativamente simples: boa localização, bandeira conhecida, ocupação consistente.
Essa lógica funcionou por muito tempo.
Hoje, ela mostra sinais claros de esgotamento.
Compressão de margens, dependência excessiva de intermediários, custos fixos rígidos e produtos cada vez mais indiferenciados transformaram muitos hotéis em ativos que “funcionam”, mas exigem esforço desproporcional para o retorno que entregam.
O investidor recebe renda, mas convive com volatilidade, frustração e a sensação recorrente de que o risco assumido não é plenamente remunerado.
É nesse contexto que o The Hoxton ganha relevância – não como tendência estética, mas como resposta estrutural a um modelo que deixou de funcionar bem para quem é dono do ativo.
Hoje quem escreve é o André Sudário: empreendedor com mais de duas décadas de experiência em hospitalidade, varejo e desenvolvimento imobiliário. Atualmente, é fundador e CEO da Liiv Hotéis, focada em modelos eficientes de hospedagem com rentabilidade recorrente, e lidera a holding Locomotiva Participações, onde atua como mentor e conselheiro estratégico.

De onde veio o The Hoxton
O The Hoxton nasceu em 2006, em Shoreditch, Londres, a partir da visão do empreendedor Sharan Pasricha.
O primeiro hotel foi implantado em um antigo estacionamento, em um bairro então em processo de transformação urbana. Desde o início, a proposta não era competir com hotéis tradicionais, mas questionar seus pressupostos básicos.
A lógica era simples:
eliminar serviços caros e pouco valorizados pelo hóspede,
focar em conforto essencial de alta qualidade,
transformar áreas comuns em espaços vivos e desejados.
O resultado foi um hotel que rapidamente se tornou ponto de encontro da comunidade local – não apenas um lugar para dormir.
Essa lógica guiou a expansão da marca nas duas décadas seguintes.
Hoje, o The Hoxton possui dezenas de unidades em operação ou desenvolvimento, com presença em cidades como Londres, Paris, Amsterdã, Barcelona, Roma, Nova York, Chicago e Los Angeles, sempre em mercados urbanos relevantes e com forte vida local.

A mudança de escala: Ennismore e Accor
Um marco importante na trajetória do The Hoxton foi a criação da Ennismore, plataforma de hospitalidade lifestyle fundada por Pasricha, e posteriormente sua joint venture com a Accor, em 2021.
Essa estrutura combinou dois mundos:
a criatividade, identidade e agilidade de marcas lifestyle,
com a escala operacional, distribuição global e poder de compra de uma grande rede.
Atualmente, a divisão Luxury & Lifestyle da Accor – que inclui The Hoxton e marcas irmãs – é uma das que mais crescem dentro do grupo, com crescimento de RevPAR e EBITDA acima dos segmentos tradicionais.
Para o investidor imobiliário, esse ponto é central: o risco de execução deixa de depender apenas de um operador local e passa a ser sustentado por um sistema global.
O problema que o The Hoxton resolveu (sem falar de design)
O sucesso do The Hoxton não se explica por design ou atmosfera.
Ele se explica por atacar ineficiências estruturais da hotelaria tradicional.
Entre elas:
áreas comuns subutilizadas, que consomem capital e geram pouca receita;
dependência excessiva de OTAs, que drenam margem do proprietário;
experiências genéricas, que reduzem poder de precificação;
custos fixos rígidos, pouco adaptáveis a ciclos de demanda.
A resposta do The Hoxton foi tratar o hotel como um ativo urbano multifuncional, não como um produto de hospedagem isolado.
Open House: engenharia do metro quadrado
O conceito de “Open House” é talvez o principal diferencial estrutural do The Hoxton.
No modelo tradicional, o lobby é uma área de passagem.
No The Hoxton, ele é desenhado para funcionar como a sala de estar do bairro.
Isso muda completamente a equação financeira:
áreas comuns passam a gerar receita direta,
o hotel atrai fluxo local diariamente,
o faturamento deixa de depender exclusivamente da taxa de ocupação.
Do ponto de vista imobiliário, isso significa maior receita por metro quadrado construído e maior resiliência do fluxo de caixa ao longo do ano.
A análise detalhada sobre como o The Hoxton transformou hospitalidade em um ativo imobiliário institucional continua na área exclusiva para assinantes Radar Pro.
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Marca como infraestrutura financeira: como a estratégia de transparência com o cliente reduz drasticamente a dependência (e os custos) com OTAs;
Os números da operação: o mix de faturamento que chega a 50% em Alimentos & Bebidas e as margens consolidadas de GOP (35% a 45%);
Liquidez Institucional: por que grandes fundos globais de private equity estão adquirindo essas unidades com cap rates mais comprimidos do que hotéis tradicionais.
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