
Esta é a Investor Track, nossa nova análise semanal focada em estratégias e teses de investimento para o mercado imobiliário da próxima década. Para se inscrever e receber toda semana, basta clicar aqui.
INVESTOR TRACK
Depois de quase dois anos praticamente fechada, a janela de IPOs começou a reabrir.
As expectativas para 2026 apontam para uma retomada gradual com projeções de casas especializadas indicando algo entre 200 e 230 IPOs globalmente, ainda distante do pico de 2021, mas significativamente acima do observado entre 2022 a 2024.
O pipeline esperado tem empresas grandes, maduras e com operação comprovada, como Stripe, Databricks, Klarna, Revolut, além de players de infraestrutura e tecnologia intensiva como CoreWeave e Holtec.
Mas também figuram nomes midiáticos como OpenAI e SpaceX/Starlink.
Uma das maiores construtechs do mundo explorou essa oportunidade: a EquipmentShare, um dos casos mais interessantes de convergência entre ativos reais, tecnologia operacional e estrutura de capital inteligente.
Uma construtech antes do termo existir
A história da EquipmentShare começa longe do Vale do Silício e mais perto do canteiro de obras real.
Fundada em 2014, nos Estados Unidos, a empresa nasce a partir de uma constatação simples: o mercado de equipamentos de construção era gigantesco, intensivo em capital e incrivelmente pouco eficiente.
Máquinas caras, subutilizadas, frequentemente paradas no lugar errado, operadas por pessoas não autorizadas, com alto índice de roubo, manutenção reativa e pouquíssima visibilidade de dados.
Um cenário que, para qualquer investidor acostumado a olhar para imóveis, lembra muito a gestão patrimonial antes da profissionalização: ativos físicos relevantes, mas operados de forma analógica.
A EquipmentShare não começou como “software”. Começou como locação de equipamentos – escavadeiras, plataformas elevatórias, máquinas pesadas. O diferencial inicial não estava no ativo em si, mas na obsessão por capturar dados de uso e transformar isso em vantagem competitiva.

O caso da EquipmentShare prova que o jogo mudou: investir em Real Estate na próxima década exigirá ir muito além do metro quadrado e do histórico passado.
Se você busca análises que dissecam a lógica do capital e separam o sinal do ruído, inscreva-se no Radar Terracotta Investor Track. Junte-se aos investidores que estão lendo o mercado antes do consenso.
Para começar a receber o conteúdo semanal, basta estar inscrito no Radar Terracotta e clicar aqui.
A inovação inicial: transformar máquinas em nós de dados
O primeiro grande movimento foi desenvolver um sistema próprio de telemetria e gestão: o T3.
Cada equipamento passou a operar como um ativo conectado.
Horas de uso, consumo de combustível, localização, manutenção, acesso por operador autorizado. Algo que hoje parece trivial, mas que, à época, simplesmente não existia de forma integrada no setor.
Na prática, a EquipmentShare criou um gêmeo digital dos equipamentos de obras.
Para o cliente, isso significava menos desperdício e mais controle. Para a empresa, significava algo mais profundo: entender a economia real do ativo. Utilização efetiva, ciclos de manutenção, vida útil econômica e valor residual.
É aqui que o modelo começa a se diferenciar estruturalmente das locadoras tradicionais.

De locadora para plataforma
Com o tempo, ficou claro que o T3 não era apenas uma ferramenta interna. Ele se tornava um produto em si.
A EquipmentShare passou a operar em três frentes integradas:
Locação de equipamentos, ainda o core da receita.
Venda e rotação de frota, permitindo reciclar capital e manter ativos modernos.
Tecnologia e serviços, com o T3 sendo usado inclusive em frotas que não pertencem à empresa.
Esse ponto é crucial. A empresa deixou de depender exclusivamente de ser dona do ativo para capturar valor como operadora e sistema operacional dos equipamentos da obra.
O que é o negócio hoje
Hoje, a EquipmentShare é uma plataforma híbrida de ativos reais e tecnologia operacional.
Em números aproximados: apresenta receita anualizada em torno de US$ 4,4 bilhões, crescimento médio superior a 40% ao ano nos últimos ciclos e mais de 370 filiais distribuídas pelos Estados Unidos. A atuação é especialmente forte em megaprojetos de data centers, infraestrutura, energia e manufatura avançada.

Mas o fato mais relevante não é o tamanho. É a qualidade da engrenagem.
Diferenciais do modelo de negócio atual
Três diferenciais se destacam:
1. Utilização e eficiência
Enquanto o mercado tradicional compete por preço e escala, a EquipmentShare compete por eficiência de uso do ativo. Menos ociosidade significa maior retorno sobre o capital investido, independentemente de quem seja o dono do equipamento.
2. Lock-in operacional
Quando um grande empreiteiro adota o T3 como sistema central, ele passa a integrar ali não apenas os equipamentos alugados da EquipmentShare, mas também frota própria e de terceiros. Trocar de fornecedor deixa de ser apenas uma decisão comercial e passa a ser uma decisão sistêmica.
3. Dados como vantagem estrutural
A base de dados gerada – milhões de horas de operação real – cria uma curva de aprendizado difícil de replicar. Isso impacta precificação, manutenção, revenda e expansão.
O Programa OWN e a inteligência de capital por trás
O Programa OWN é uma das peças centrais da estratégia da EquipmentShare.
Ele existe para resolver um problema estrutural do setor de locação de equipamentos: crescer exige capital intensivo, e financiar esse crescimento apenas com balanço próprio ou dívida tradicional impõe limites claros de velocidade, risco e retorno.
Em vez de tratar o financiamento da frota como um subproduto financeiro, a EquipmentShare transformou o capital em parte ativa do modelo operacional.
O OWN permite que a empresa separe propriedade e operação do ativo, mantendo controle total da utilização, precificação e manutenção, ao mesmo tempo em que acessa capital externo de forma recorrente.
Na prática, o programa funciona assim:
a EquipmentShare adquire equipamentos novos;
vende esses ativos para um fundo dedicado;
aluga os equipamentos de volta;
opera integralmente os ativos via T3;
e compartilha a receita gerada com o investidor.
O objetivo não é apenas financiar a frota, mas reorganizar quem absorve o risco de utilização do ativo, ponto crítico em qualquer negócio intensivo em capital.
Essa mudança altera completamente a lógica econômica do negócio.
Ela permite à EquipmentShare crescer mais rápido, operar de forma mais asset-light e alinhar incentivos entre capital e operação – algo raro na indústria de locação de equipamentos.
O que a EquipmentShare projeta para frente
O IPO não é apenas um evento de liquidez. É um movimento estratégico.
Os recursos são direcionados principalmente para:
Redução do custo de capital.
Fortalecimento do balanço.
Continuidade da expansão em mercados intensivos em infraestrutura.
A tese de longo prazo é clara: a construção vai se tornar cada vez mais industrial, digital e orientada a dados. E quem controla o sistema operacional do canteiro controla uma parte relevante da cadeia de valor.
A visão é expandir ao longo do ciclo de vida do cliente, e multiplicar o seu mercado potencial endereçável explorando as novas oportunidades.

Um valuation de US$ 7 bilhões
O IPO da EquipmentShare cristaliza como o mercado público está precificando negócios híbridos entre ativos reais e tecnologia.
A companhia estreou na Nasdaq com uma oferta de aproximadamente 30,5 milhões de ações, a um preço próximo do topo da faixa indicativa, levantando cerca de US$ 750 milhões.
O mercado atribuiu à empresa um valuation em torno de US$ 7 bilhões, refletindo uma recepção positiva para um negócio intensivo em capital e fora do eixo tradicional de software puro.
Analistas destacam que, diferente de muitas empresas que acessam o mercado público, a EquipmentShare já chega com escala relevante e uma engrenagem operacional comprovada.
Mas alguns pontos de atenção existem.
A empresa ainda opera com margens inferiores às de locadoras tradicionais quando analisadas de forma superficial, o que exige do investidor uma leitura mais sofisticada do modelo.
Há também exposição clara ao ciclo da construção, além de questionamentos sobre governança, dado o controle acionário concentrado nos fundadores por meio de ações com direitos de voto diferenciados.
Para quem esse case faz mais sentido, e para quem não faz
O investimento na EquipmentShare pode compor a carteira de ativos líquidos de um investidor. Trata-se de equity listado, com volatilidade de mercado, mas ancorado em ativos reais, operação física e geração recorrente de caixa.
Dentro do universo de ações, o case se posiciona melhor para investidores que:
aceitam risco operacional e cíclico, típico de negócios ligados à economia real;
buscam exposição a empresas asset-heavy com tese clara de eficiência, e não a crescimento desancorado de capital;
entendem que o retorno vem mais de execução, escala e desenho de incentivos do que de múltiplos de software.
O case funciona como uma forma líquida de surfar o ciclo prolongado de investimentos em infraestrutura nos Estados Unidos.
Data centers, energia, logística e manufatura avançada demandam equipamentos, eficiência e controle operacional.
A EquipmentShare não depende de um único projeto ou região, mas captura esse movimento de forma transversal, como fornecedora crítica da camada operacional.
A mensagem central para o investidor
A combinação de dados, inteligência de capital, e um mercado de infraestrutura pujante abriu espaço para participar de uma tese de negócio que conecta o mundo digital à economia real dos equipamentos de construção.
Algo que hoje parece óbvio, mas o desafio é perceber isso primeiro.
Em 2017 tive a oportunidade de conhecer essa tese em meio a uma análise de investimento em uma startup brasileira que tinha a EquipamentShare como benchmark.
Na época o modelo apresentava sinais interessantes, mas nem se comparava ao gigante que se tornou, tendo um crescimento de mais de 146x em faturamento no período.
O caso da EquipmentShare é menos sobre acertar um IPO específico e mais sobre como investir melhor em ciclos de mudança.
Investir bem exige enxergar antes aquilo que ainda não está totalmente claro para o mercado.
Não no sentido de prever o futuro, mas de interpretar sinais fracos antes que virem consenso.
PAINEL DE OPORTUNIDADES
Invista no Real Estate à Prova de Futuro
Oportunidade: Residências ultra premium no Vale do Silício – via uma incorporadora verticalizada (design + construção + capital) focada em um micro-mercado de alta liquidez e baixa oferta estrutural.
Por que essa tese?
Oferta travada: zoneamento restritivo e baixa velocidade de novas construções em um dos mercados mais ricos dos EUA.
Produto “antigo” para um comprador exigente: casas defasadas (muito estoque dos anos 50) abrindo espaço para reposicionamento via projeto e execução.
Execução comprovada: portfólio entregue com duração média ~20 meses e TIR anual média ~16% (histórico).
Caso tenha se interessado e queira saber como estamos desenhando a alocação e outros detalhes da oportunidade, me chame para conversar.
LINKS SUGERIDOS
Leia também:
São Carlos migra para modelo asset light
Flórida lidera queda de preços nos imóveis em 2025 nos EUA
Startup para gestão de pets em propriedades capta US$ 8M
Incerteza jurídica dificulta investimentos em data centers no Brasil
Trybes capta US$ 30M para avançar na gestão de wellness em UK
NO RADAR
Leia as últimas edições:
FEEDBACK
Se gostou do conteúdo, encaminhe para um conhecido seu
