
Esta é a Investor Track, nossa nova análise semanal focada em estratégias e teses de investimento para o mercado imobiliário da próxima década. Para se inscrever e receber toda semana, basta clicar aqui.
INVESTOR TRACK
Todo janeiro começa igual
Bancos soltam relatórios, casas de análise publicam outlooks, estrategistas disputam quem acerta o PIB, o dólar, os juros e o grande evento geopolítico do ano. Muda o layout, mudam os gráficos, mas a sensação é recorrente: é mais do mesmo.
As previsões costumam errar no detalhe, acertar no óbvio e falhar no que realmente impacta os mercados quando surge um cisne negro.
Ainda assim, todo janeiro nos coloca diante da mesma pergunta inevitável:
Para onde o mundo – e os mercados – parecem caminhar?
Ignorar essa pergunta não é uma opção. Mas repetir o mesmo exercício, com as mesmas lentes, talvez seja.
Nossas projeções para 2026 – e por que elas não são apenas opinião
Em 2026, Donald Trump deve sair enfraquecido das eleições de meio de mandato, com perda de apoio no Congresso.
Os juros nos Estados Unidos devem cair até 0.75, mas sem retorno ao dinheiro fácil.
A China não deve invadir Taiwan.
Os Estados Unidos não devem invadir a Groenlândia.
No Brasil, a Selic deve iniciar um ciclo de cortes em março, ainda que permaneça em patamar elevado no ano.
Lula vai vencer as eleições.
E, apesar de toda a euforia recente, não deve haver um estouro da bolha de Inteligência Artificial.
Isso não é opinião. É o que as apostas estão dizendo.
A tentativa de fazer diferente
Para chegar a essas leituras, em vez de perguntar o que analistas, economistas ou estrategistas acreditam que vai acontecer, fomos observar quem está colocando dinheiro nas previsões disposto a precificar como risco real.
Para isso, usamos os chamados prediction markets – plataformas que transformam eventos do mundo real em mercados financeiros líquidos.
O que são os “prediction markets”?
Plataformas como Polymarket e Kalshi pertencem a uma nova geração de empresas conhecidas como prediction markets.
Na prática, elas funcionam de forma simples:
Cada grande evento vira um mercado
Os participantes compram e vendem contratos que representam a probabilidade de aquele evento acontecer
O preço desses contratos reflete a probabilidade implícita atribuída pelo mercado
Se um contrato é negociado a US$0,20, o mercado está dizendo que há cerca de 20% de chance de aquele evento ocorrer.
Esse modelo não é novo – existe há décadas em ambientes acadêmicos – mas ganhou escala, sofisticação e capital nos últimos anos.
Por que essas plataformas cresceram tanto
Em 2025, as duas principais plataformas passaram a operar em uma escala inédita.
A Kalshi superou a marca de US$ 4 bilhões em volume negociado em um único mês no segundo semestre de 2025, enquanto a Polymarket voltou a operar próxima de US$ 3 bilhões mensais em momentos de maior concentração de eventos políticos e macroeconômicos.
Em termos de base ativa, a Polymarket chegou a registrar mais de 450 mil traders ativos mensais, refletindo forte crescimento de participação e liquidez. Esse número mais do que dobrou em relação aos níveis observados no início de 2024.

Há três razões principais para a ascensão desses players:
1. Falência da previsão tradicional
Relatórios não geram consequência. Apostas, sim. Quando há dinheiro em jogo, o incentivo à precisão muda.
2. Um mundo mais binário e volátil
Guerras, eleições, decisões de bancos centrais e rupturas tecnológicas passaram a impactar mercados quase instantaneamente.
3. Busca por sinal em meio ao ruído
Prediction markets agregam informação dispersa em um único número: preço.
Não por acaso, essas plataformas já são usadas informalmente por fundos, estrategistas e áreas de risco como complemento à análise tradicional.
A pergunta certa não é “o que vai acontecer”
O valor dessas plataformas não está em prever o futuro com precisão absoluta.
Está em responder algo mais útil:
Quais riscos o mercado considera relevantes o suficiente para precificar? E em que dimensão estão precificando?
É o que um professor meu sempre falava:
“não acredite em previsões de quem não coloca dinheiro nelas.”
Os grandes fatores que podem impactar os mercados em 2026
Os fatores abaixo seguem sempre a mesma lógica: o que está em jogo e o que o mercado está precificando.

1. Geopolítica: fricção permanente como novo normal
O que está em jogo
O mundo entra em 2026 consolidando um ambiente de multipolaridade instável, no qual grandes potências voltam a usar coerção econômica, territorial e militar como instrumento explícito de política.
O que o mercado está precificando
Baixa perspectiva de China invadir Taiwan até o fim de 2026: ~13%
Rússia entrar em guerra direta com a Europa: ~9%
EUA adquirirem parte da Groenlândia: ~22%
Governo de Rodriguez chegar até final do ano na Venezuela: 48%
Leitura-chave
O mercado não aposta em colapso geopolítico. Aposta em fricção contínua de médio prazo.
2. Política e eleições: ruído alto, ruptura baixa
O que está em jogo
2026 é um super ano eleitoral. Brasil, EUA e dezenas de países passam por eleições em um ambiente de polarização, retórica elevada e desconfiança institucional.
O que o mercado está precificando
Democratas controlarem a Câmara dos EUA: ~79%
Continuidade política no Brasil com reeleição do Lula: 53%
Leitura-chave
O risco não está em quem vence, mas no custo do ruído ao longo do caminho.
3. Política monetária: alívio gradual, não retorno ao passado
O que está em jogo
Após o ciclo mais agressivo de aperto monetário em décadas, o mercado entra em 2026 esperando cortes de juros, sem retorno às condições pré-2020.
O que o mercado está precificando
EUA: maiores apostas concentradas em 2 a 3 cortes de juros em 2026 (75bps)
Brasil: ~85% para corte da Selic em março de 2026, com patamar final ainda elevado
Leitura-chave
Juros caem, mas não resolvem estruturas ruins.
4. Tecnologia e IA: continuidade sem bolha sistêmica
O que está em jogo
Após um ciclo de forte investimento e hype, a Inteligência Artificial passa por um processo normal de maturação e diferenciação entre vencedores e perdedores. Veremos uma janela de IPOs se abrindo, oxigenando o fluxo de capital.
O que o mercado está precificando
Estouro da bolha de IA até o fim de 2026: ~15%
Ou seja: o mercado explicitamente não acredita em um colapso sistêmico do setor.
Leitura-chave
O cenário-base não é bolha, mas continuidade com seleção natural e cobrança por resultado.
Como investidores sofisticados usam prediction markets como hedge informacional
Mais do que apenas um mercado de apostas, os prediction markets não servem apenas para prever – servem para proteger decisões.
Para o investidor imobiliário, o principal valor dessas plataformas não está em acertar eventos binários, mas em usá-las como hedge informacional.
Elas ajudam a responder, de forma contínua, perguntas como:
Quais riscos estão subestimados pelo consenso?
Quais cenários extremos parecem improváveis demais para justificar decisões defensivas?
Onde o mercado está mudando de opinião antes que isso apareça em relatórios?
Na prática, investidores usam prediction markets para:
Dimensionar exposição, não para apostar contra ou a favor de eventos
Evitar over-hedge, quando o medo é maior que a probabilidade real
Testar convicções, confrontando narrativas com preços de risco
Exemplo simples: se a probabilidade de um evento sistêmico é baixa, faz pouco sentido estruturar portfólios ou projetos inteiros como se ele fosse inevitável. Mas se for alta, me permite facilmente apostar na direção oposta como se contratasse um seguro.
Esse tipo de leitura não substitui análise macro ou setorial.
Ele protege o investidor contra decisões emocionais, consensos tardios e excesso de narrativa.
A história que essas apostas contam sobre 2026
Quando organizamos todas as probabilidades em conjunto, a história que emerge não é a de um mundo à beira de rupturas, mas a de um mundo mais previsível nos extremos e mais incômodo no dia a dia.
As apostas indicam que 2026 tende a ser um ano em que:
Eventos geopolíticos extremos seguem improváveis, apesar do ruído constante
Eleições adicionam volatilidade, mas não redefinem regimes
Juros caem de forma gradual, sem resgatar o dinheiro fácil
A tecnologia segue avançando sem colapsos estruturais
Esse conjunto de sinais sugere um regime em que o maior risco não é o choque, mas a má alocação de capital baseada em premissas erradas.
Investir bem em 2026 é uma questão de método
Investir bem nunca foi sobre acertar eventos pontuais.
Sempre foi sobre ler corretamente o contexto antes que ele fique óbvio para o mercado.
Os prediction markets não substituem análise macro, setorial ou experiência prática. Mas ajudam a revelar algo essencial: onde o consenso ainda não chegou – e onde ele já chegou caro demais.
Capital consistente segue curadoria, leitura de cenário e comparação qualificada. Quem constrói esse método acessa, de forma recorrente, oportunidades mais bem alinhadas, mais resilientes e menos dependentes de sorte.
Em um mundo estruturalmente mais instável, o diferencial não será tentar prever o futuro – será estar bem posicionado para operar nele.

Para começar a receber o conteúdo semanal, basta estar inscrito no Radar Terracotta e clicar aqui.
Ao se cadastrar, você receberá em seu e-mail o material que apresentei a um grupo de investidores, com um mapa das estratégias para navegar neste novo cenário.
NO RADAR
Leia as últimas edições:
FEEDBACK
Se gostou do conteúdo, encaminhe para um conhecido seu
