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ABERTURA
Interpretar o sentimento do mercado exige ir além da leitura dos dados.
Muitas vezes, o que parece rejeição a uma nova tecnologia é apenas o prelúdio de sua adoção em massa.
Na edição de hoje, analisamos por que a minoria que aceita a Inteligência Artificial sinaliza mais sobre o futuro do que a maioria que a rejeita.
Discutimos também a ascensão dos robô-táxis impacta o imobiliário e onde a maior aceleradora do mundo está apostando suas fichas no imobiliário.
Boa leitura!
Na edição de hoje:
🤖 O que a minoria que aceita a IA revela sobre o futuro do setor
🚗 Fim da vaga de garagem: robô-táxis mudam o custo de novos projetos.
💡 As novas soluções hiper-verticalizadas da YC para o setor imobiliário.
#1
Os clientes não querem ser atendidos pela IA
Uma pesquisa recente da Brain revelou que 83% dos brasileiros não se sentem seguros comprando um imóvel com auxílio de inteligência artificial.
Um número que, à primeira vista, parece sinalizar o óbvio: o corretor de imóveis segue insubstituível no processo de compra.
Mas essa perspectiva é limitada – e hoje quero te mostrar o porquê.
A história se repete
Em 2008, entrei no mercado imobiliário trabalhando no Sienge, exatamente quando lançávamos o Sienge Web – um dos primeiros ERPs do setor totalmente baseado na nuvem.
Na época, enviávamos aos clientes um link com login e senha. A resposta? “Mas cadê o CD de instalação?” Muitos não confiavam em algo que não pudessem ver, tocar, instalar em seus próprios servidores. A tal “nuvem” parecia etérea demais.
Resultado: passamos a enviar CDs físicos apenas para gerar a sensação de segurança. Em menos de cinco anos, essa lógica inverteu.
Ninguém mais queria um sistema instalado localmente. A confiança na nuvem deixou de ser diferencial e virou padrão.
A mudança sempre segue um padrão
O que vimos na computação na nuvem foi um comportamento típico mapeado por Geoffrey Moore.
Em seu livro Crossing the Chasm, ele mapeia um padrão que se repete com toda inovação:
Primeiro vêm os inovadores e early adopters;
Depois há um “abismo” de desconfiança, resistência e fricção;
E, por fim, a tecnologia “decola” com a adoção em massa pela early majority.
Toda inovação enfrenta um vale entre os early adopters e a early majority – e o abismo é vencido não quando todos estão prontos, mas quando uma minoria significativa (em torno de 15% a 18%) começa a adotar a tecnologia de forma confiável.
O segredo é entender quando estamos nos aproximando desse abismo – porque é aí que surgem as maiores oportunidades.

Na pesquisa da Brain, mais relevante do que os 83% contrários à IA são os 17% que já estão confortáveis com ela.
Isso é um marco. Um sinal de que estamos no exato momento de cruzar o abismo.
Será que o cliente sabe o que ele quer?
A frase atribuída a Henry Ford já virou clichê: “Se eu tivesse perguntado às pessoas o que elas queriam, elas teriam dito cavalos mais rápidos.”
Mas ela segue sendo uma das verdades mais incômodas da construção de qualquer produto: perguntar ao cliente o que ele quer pode ser uma armadilha.
É mais eficaz observar como ele se comporta quando confrontado com novas possibilidades – mesmo que, num primeiro momento, ele as rejeite.
Uber, Waze, iFood, Nubank, Instagram, todas são interfaces presentes na vida dos brasileiros que se tornaram usuários de inteligência artificial sem nem perceber.
O mesmo vai acontecer no imobiliário.
O ponto mais importante da resposta do cliente foi entender que ele valoriza o atendimento humano e não o atendimento de um ser humano.
Na média hoje uma boa jornada de atendimento realizado por inteligência artificial já proporciona um atendimento mais humano do que a média dos profissionais do setor conseguem fazer.
IA não substitui o corretor – ela substitui o corretor ruim
Esse movimento não significa que os corretores deixarão de existir. Pelo contrário: eles serão ainda mais importantes.
Mas não todos.
O Brasil não precisa de 400 mil corretores de imóveis ativos. Arriscaria dizer que um quarto desse número seria mais que o suficiente para atender a demanda existente.
A IA vai atuar exatamente onde o mercado mais sofre:
– Reduzindo a fricção no atendimento;
– Aumentando a velocidade na resposta;
– Antecipando objeções com base em dados;
– E oferecendo jornadas personalizadas em escala.
Ou seja: ela será o fator de seleção natural para os profissionais que não conseguirem se adaptar ao básico.
Vai tornar os bons corretores ainda melhores – e tornar dispensáveis os que se apoiavam apenas em carisma, acesso ou sorte.
O que parece resistência hoje, será o novo padrão amanhã
Você pode até argumentar: “Mas cliente é relacional. Compra imóvel com quem confia.”
Sim. E isso continua sendo verdade. A questão é como a confiança será construída nos próximos ciclos.
Antes era pelo cafezinho no decorado. Agora é pela agilidade no WhatsApp, pela antecipação de dúvidas, pelo nível de preparo.
E isso será cada vez mais mediado por tecnologia.
Hoje, os 17% que topam IA não estão abandonando o corretor – estão escolhendo outro tipo de corretor.
#2
Robô-táxis: O Fim da Vaga de Garagem e a Nova Geografia do Valor
O gráfico da The Economist não deixa dúvidas: os robô-táxis deixaram de ser ficção científica para se tornarem uma operação de escala.

Em São Francisco, a Waymo já detém mais de 10% do mercado de ride-sharing. Não é mais um teste, é uma mudança de base.
E a tendência é de aceleração. Segundo a McKinsey, até 2030, essa tecnologia será até 50% mais barata que o Uber e o próprio carro particular.
Mas o impacto real não está no trânsito, está no tijolo.
Quando o custo de deslocamento despenca e o veículo não precisa de motorista, dogmas imobiliários começam a ruir.
O primeiro a cair é a obrigatoriedade da garagem.
Se o carro se dirige sozinho para hubs logísticos baratos, por que construir subsolos caros em áreas nobres?
Isso altera o CAPEX e a TIR de novos projetos imediatamente.
O segundo impacto é na localização.
Bairros periféricos ganham competitividade, em um fenômeno comparável à chegada do metrô no século XX.
No Radar Pro dessa semana, exploramos os 4 sinais de que a mobilidade autônoma se tornou inevitável e detalhamos como isso redesenha o masterplan das cidades e o valor dos ativos imobiliários.
Clique aqui para ler a análise completa
#3
Y Combinator e o Imobiliário: Onde a Maior Aceleradora do Mundo Está Apostando
O mercado imobiliário global vive um paradoxo: é a maior classe de ativos do planeta, mas uma das menos digitalizadas.
Enquanto construtoras lutam com margens apertadas e escassez de mão de obra, uma nova geração de soluções está emergindo da Y Combinator – a aceleradora que criou Airbnb e Stripe.
A mensagem do novo batch da YC é clara: a era dos produtos genéricos de IA acabou.

Estamos vendo o nascimento de startups hiper-verticalizadas.
Elas não querem ser o "ChatGPT da construção". Elas querem ser o engenheiro sênior que revisa projetos, o contador que classifica recibos ou o avaliador que usa LiDAR para precificar imóveis em 10 minutos.
Essas empresas não apenas digitalizam processos; elas automatizam decisões técnicas e eliminam gargalos operacionais em áreas críticas como compliance, orçamentação e proteção contra incêndio.
No Investor Track dessa semana, apresentamos as 7 startups do novo batch da YC que estão redesenhando a infraestrutura cognitiva do setor.
Da IA que projeta sprinklers automaticamente ao "síndico digital" que opera 24/7.
Clique aqui para ler a análise completa
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