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A morte do “Analista de Planilha” e o fim das taxas de gestão por esforço

Como o Agentic Investor vai implodir a estrutura de custos das gestoras tradicionais

Bruno Loreto
Bruno Loreto

Feb 24, 2026

Esta é a Investor Track, nossa análise semanal focada em estratégias e teses de investimento para o mercado imobiliário da próxima década. Para se inscrever e receber toda semana, basta clicar aqui.

INVESTOR TRACK

A Miopia do Primeiro Grau

Frédéric Bastiat escreveu, no século XIX, que o mau economista se limita ao efeito visível; o bom economista antecipa também os efeitos que ainda não apareceram

Nada tem apenas uma consequência.

O primeiro efeito é imediato. É visível. É confortável.

Os seguintes vêm depois. E quase sempre mudam tudo.

Mercados funcionam do mesmo jeito. E a gestão de investimento imobiliário não é exceção. 

Estamos entrando na era do Investidor Imobiliário Agêntico, aquele que utiliza tecnologia e dados para atuar de forma mais autônoma, estratégica e proativa na originação, análise e gestão de seus investimentos, ampliando sua capacidade de decisão e execução. 

Mas muitos ainda não têm a leitura completa do que isso deve proporcionar.

A Primeira Ordem: Eficiência Bruta

Comecemos pelo impacto imediato.

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Dados do Pi Labs indicam que ferramentas de IA já reduzem em até 90% a carga de trabalho nas etapas pré-deal: pesquisa de propriedades, originação, triagem documental e partes relevantes da due diligence.

O que antes exigia semanas de um analista júnior consolidando contratos, extraindo cláusulas e organizando dados dispersos, hoje pode ser feito com 80–90% de precisão em minutos.

Não se trata de substituir julgamento.

Trata-se de eliminar trabalho mecânico.

A primeira ordem é, portanto, eficiência bruta.

Menos horas para produzir o mesmo output analítico.
Mais deals avaliados por unidade de tempo.
Menor custo marginal de triagem.

A Segunda Ordem: A Nova Economia das Gestoras

Se 90% do trabalho manual cai, a estrutura de custo precisa cair junto.

Hoje, estima-se que sejam necessárias cerca de 8,4 pessoas para gerir US$ 1 bilhão sob gestão em estruturas tradicionais. Projeções indicam que, até 2030, esse número pode cair para 4,2 pessoas por US$ 1 bilhão.

Metade da estrutura.

Esse ajuste altera a economia do setor.

As margens médias, que giram em torno de 55,2%, podem subir para algo próximo de 71,5% em modelos verdadeiramente IA-nativos.

Essa é a consequência de segunda ordem:

A escala muda.
A alavancagem operacional muda.
A relação entre taxa cobrada e estrutura necessária muda.

Se o custo estrutural cai e a taxa permanece constante, a margem sobe.

Isso não é, por si só, um problema.

O problema surge quando a taxa de gestão continua sendo justificada por esforço humano e não por geração real de alfa.

Nesse ponto, a discussão deixa de ser tecnológica e passa a ser econômica.

O investidor está pagando por arbitragem de inteligência ou por fricção operacional?

O Custo da Inação Não é Neutro

Há quem argumente que a transição será lenta.

Mas a ineficiência não é neutra. Ela deixa dinheiro na mesa.

Estima-se que, apenas em escritórios de Londres, cerca de £1,43 bilhão sejam perdidos anualmente por gestão operacional sub-padrão, ineficiências que sistemas baseados em IA já conseguem mapear e otimizar.

Em um ambiente competitivo, quem opera com processos sub-ótimos não apenas ganha menos, ele transfere valor para quem opera melhor.

No nível da tese, isso significa menor retorno ajustado ao risco.

No nível do capital, significa destruição de TIR.

No nível da operação, significa decisões tomadas com base em amostras limitadas de informação, quando o universo completo poderia ter sido analisado.

O gestor que não incorpora processos agênticos não será apenas mais lento.

Ele operará com menos inteligência disponível.

E isso afeta diretamente a qualidade do dealflow e do processo de análise — dois ativos estratégicos para qualquer investidor recorrente.

A Terceira Ordem: A Auditoria do Dono do Dinheiro

Agora chegamos à implicação mais relevante.

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Se o custo de encontrar assimetrias informacionais despencar, se a triagem de oportunidades puder ser feita em escala, se a consolidação de dados deixar de ser gargalo, então o investidor precisará revisar sua estrutura mental de avaliação de gestores.

A pergunta não é mais: “Quantos analistas você tem?”

A pergunta passa a ser: “Como sua estrutura transforma tecnologia em vantagem de julgamento?”

Ou, de forma mais direta: Sua taxa de gestão financia a busca por alfa ou financia sua incapacidade de adotar processos agênticos?

Essa é a auditoria de terceira ordem. Não se trata de pressionar taxas por princípio.

Trata-se de alinhar estrutura de custos com realidade tecnológica.

Em um mundo onde o processamento de informação ficou quase gratuito, o que permanece escasso é julgamento.

A IA não substitui o decisor.

Ela o transforma em líder agêntico de uma equipe virtual.

O diferencial deixa de ser “capacidade de fazer conta” e passa a ser:

– Qual hipótese formular
– Qual variável pesar
– Qual risco estrutural priorizar
– Quando dizer não

O valor migra do esforço para o critério.

O Mercado Não Vai Esperar

Empresas IA-nativas já crescem até cinco vezes mais rápido em receita ano contra ano do que seus pares tradicionais.

Modelos mais leves testam mais hipóteses.
Processam mais dados.
Aprendem mais rápido.
Iteram com menos custo.

No Real Estate, isso significa:

– Melhor seleção de ativos
– Melhor leitura de ciclo
– Melhor estruturação de capital
– Melhor controle operacional

O mercado tende a deixar de ser dominado por “quem você conhece” e passar a ser vencido por “quem opera com o melhor método”.

Relacionamento continuará relevante. Mas relacionamento sem método perde poder.

O Fim da Taxa por Esforço

Durante décadas, a taxa de gestão foi implicitamente associada à complexidade operacional.

Mais ativos.
Mais planilhas.
Mais reuniões.
Mais equipe.

O que continuará raro é a capacidade de síntese, disciplina de processo e leitura estrutural de risco.

O investidor que entende isso começa a separar duas coisas:

  1. Estrutura que gera vantagem 

  2. Estrutura que apenas consome capital

Essa distinção é central para Inteligência de Capital.

Porque, no fim, o investidor não compra ativos.

Ele aloca capital em negócios operados por pessoas, sob estruturas de incentivo específicas, usando determinados métodos.

Se o método está obsoleto, o risco aumenta, mesmo que o ativo pareça sólido.

Implicações para o Investidor Estruturado

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A pergunta estratégica deixa de ser tecnológica e passa a ser fiduciária: Estou exposto a estruturas que evoluem com o custo da inteligência, ou a estruturas que resistem à mudança para preservar margens históricas?

Pensamento de primeira ordem enxerga eficiência.

Pensamento de segunda ordem enxerga reestruturação de margens.

Pensamento de terceira ordem enxerga realocação de poder econômico.

O “analista de planilha” não desaparece porque ficou menos importante.

Ele desaparece porque a planilha deixou de ser o centro da vantagem competitiva.

A vantagem migra para o processo agêntico.

E processo, quando bem estruturado, vira ativo intelectual.

Conclusão

Nada tem apenas uma consequência

A IA no Investimento em Real Estate não é apenas uma ferramenta de produtividade.

Ela é um choque estrutural na economia das gestoras.

Reduz custo.
Aumenta margem.
Eleva escala.
Reorganiza poder.

Para os family offices e investidores donos do dinheiro, isso exige revisão de critério.

Não para buscar novidade.
Mas para evitar financiar obsolescência.

Em um setor que deixou de ser simples, vantagem não virá de mais esforço.

Virá de melhor método empoderado por IA.

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E método, hoje, é inseparável da capacidade de operar inteligência em escala com julgamento humano no centro, mas sem fricção desnecessária ao redor.

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