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#167: Alphabet e NVidia apostam em uma construtech

A combinação de IA e robótica levando automação para o canteiro

Bruno Loreto
Bruno Loreto

Feb 13, 2026

ABERTURA

Nesta edição, destrinchamos como o retrofit de maquinário pesado acelera a terceira onda da digitalização na construção. 

Analisamos o modelo imobiliário que tornou o Edmonton Oilers um gigante de lucro operacional e por que a corrida espacial (Astropolitics) abre mais um espaço de oportunidade que pode redefinir a geografia de investimento no Real Estate.

Boa leitura!

A aposta da Alphabet e NVidia em uma Construtech

Em julho do ano passado, escrevi sobre a Bedrock Robotics, uma empresa que havia recém captado uma rodada de investimento para transformar máquinas pesadas em sistemas semi-autônomos por meio de retrofit de equipamentos, sensores e IA.

Naquele momento, a mensagem era clara: a automação de campo começava a deixar de ser promessa para se tornar infraestrutura estratégica do canteiro de obras.

A combinação de IA e robótica foi uma das grandes trends de 2025.

Nesta semana, a empresa anunciou uma nova rodada de US$ 270 milhões (Series B), elevando o total captado para mais de US$ 350 milhões e alcançando o status de unicórnio.

O movimento não apenas valida a tese, ele a acelera.

O que convergiu com a tese anterior

  1. Retrofit como estratégia de adoção
    A Bedrock segue apostando no mesmo caminho: transformar equipamentos existentes em máquinas autônomas, em vez de exigir substituição total do parque instalado.

    Isso continua sendo um diferencial competitivo relevante. O setor é intensivo em CAPEX e avesso a mudanças bruscas. Reduzir fricção de adoção é metade da batalha.

  2. Foco na automação de campo, não só em software
    A tese central permanece intacta: a próxima fronteira de produtividade na construção não virá de ERPs melhores ou dashboards mais inteligentes. Ela está no chão do canteiro.

    Escavadeiras, tratores e perfuratrizes operando com menor dependência de mão de obra altamente especializada, maior precisão e menor risco operacional. Esse é o núcleo da disrupção.

  3. Macro drivers continuam os mesmos – e mais intensos

    • Escassez global de operadores qualificados

    • Pressão por prazos e margens

    • Maior exigência por segurança

    • Projetos de infraestrutura cada vez mais complexos

    O pano de fundo estrutural não mudou. Pelo contrário, ficou mais evidente.

O que mudou – e importa

A principal diferença não está no produto, mas na escala da ambição.

A entrada de investidores como CapitalG (Alphabet), NVentures (NVIDIA) e outros fundos institucionais relevantes sinaliza que a narrativa saiu do nicho “construtech interessante” e entrou no radar de tecnologia profunda aplicada a indústrias tradicionais.

Isso muda o jogo por três razões:

❝

Capacidade de P&D em larga escala
Autonomia em ambientes não estruturados (como canteiros) é um dos desafios mais complexos da robótica aplicada. Capital intensivo acelera esse ciclo.

❝

Infraestrutura de IA embarcada
O avanço recente em modelos de percepção, visão computacional e edge computing torna a proposta tecnicamente mais viável hoje do que era há poucos anos.

❝

Validação institucional do setor
Quando grandes fundos de tecnologia entram, a mensagem implícita é: construção não é mais apenas um mercado “tradicional”. É uma fronteira de aplicação para deep tech.

O que não divergiu (e isso é relevante)

Não houve mudança de direção estratégica.
Não houve pivô para software puro.
Não houve abandono da tese de retrofit de máquinas.

A empresa dobrou a aposta na mesma visão.

Isso reforça um ponto importante: a revolução na construção não está acontecendo de forma explosiva e visível como no software. Ela é gradual, capital-intensiva e estrutural.

Mas está acontecendo.

O sinal mais importante

Sete meses atrás, US$ 80 milhões já eram um indicador forte.

Hoje, US$ 270 milhões mostram que a automação pesada de campo está migrando de “categoria emergente” para “infraestrutura estratégica”.

Se somarmos isso ao volume crescente de investimento em Core Construction e automação, fica evidente um padrão:

A digitalização administrativa foi a primeira onda.
A industrialização offsite é a segunda.
A autonomia de campo pode se consolidar como a terceira.

Cada nova rodada como essa não é um evento isolado. 

É mais um dado na curva.

❝

A produtividade da construção sempre foi tratada como um problema crônico.
O capital começa a tratá-la como uma oportunidade tecnológica de escala global.

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RADAR PRO

Como um time de hóquei pequeno virou o 3º mais lucrativo dos esportes (e o que Real Estate tem a ver com isso)

Quando a Forbes divulgou que o Edmonton Oilers atingiu US$ 244 milhões de lucro operacional (EBITDA), o mercado se espantou.

Como um time de hóquei, sediado em uma cidade gelada de apenas 1,5 milhão de habitantes, superou marcas globais como Manchester United (~US$ 185M), New York Yankees (~US$ 143M) e LA Lakers (~US$ 115M)?

A resposta não está no gelo. Está no tijolo.

Diferente dos gigantes que dependem de direitos de TV e venda de camisas, o Oilers desenhou uma reengenharia completa do modelo de negócio ancorada no ICE District: um desenvolvimento de uso misto de 25 acres onde o time controla tudo – da arena ao hotel, do escritório ao cassino.

A lógica é muito eficiente: em uma cidade onde o inverno chega a -30°C, o distrito foi desenhado para eliminar a fricção de saída. O torcedor entra e gasta com alimentação, hospedagem e entretenimento, tudo conectado e climatizado, com 100% da receita capturada pela holding do time.

O hóquei gera o fluxo. O real estate captura o valor.

No Radar Pro dessa semana, mostramos como funciona essa "engrenagem de retenção de gastos", o papel do Community Revitalization Levy (CRL) no financiamento da obra e por que o controle do solo vale mais do que o tamanho da torcida.

Clique aqui para ler a análise completa

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INVESTOR TRACK

Astropolitics & Real Estate: por que investidores imobiliários deveriam olhar para o espaço

Parece ficção, mas é apenas infraestrutura.

Nos últimos cinco anos, o espaço deixou de ser um domínio científico e militar para se tornar econômico. 

Com a economia espacial projetada para atingir US$ 1 trilhão antes de 2040, estamos diante de uma nova corrida do ouro – ou melhor, de uma nova rota de navegação.

Assim como os portos e ferrovias redesenharam o mapa de valor das cidades no século XIX, a Astropolitics está começando a definir os novos hubs de capital do século XXI.

O gatilho foi o colapso dos custos. O lançamento de um foguete, que custava US$ 54.000/kg no ônibus espacial, deve cair para US$ 100/kg com a Starship da SpaceX.

Isso viabiliza desde energia solar orbital até manufatura em microgravidade.

Mas o impacto mais tangível para o real estate está na construção.

A NASA e a ICON já validaram tecnologias para imprimir infraestrutura na Lua usando poeira local (regolito). O que hoje é teste lunar, amanhã será a tecnologia que permitirá construir em áreas remotas da Terra com custo marginal próximo de zero.

No Investor Track dessa semana, explicamos como a corrida espacial vai redefinir a geografia de dados e energia, quais cidades estão se posicionando como os novos "portos espaciais" e por que a SpaceX deve ser analisada como uma operadora de infraestrutura, e não uma empresa aeroespacial.

Clique aqui para ler a análise completa

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