
ABERTURA
Nesta edição, destrinchamos como o retrofit de maquinário pesado acelera a terceira onda da digitalização na construção.
Analisamos o modelo imobiliário que tornou o Edmonton Oilers um gigante de lucro operacional e por que a corrida espacial (Astropolitics) abre mais um espaço de oportunidade que pode redefinir a geografia de investimento no Real Estate.
Boa leitura!
A aposta da Alphabet e NVidia em uma Construtech
Em julho do ano passado, escrevi sobre a Bedrock Robotics, uma empresa que havia recém captado uma rodada de investimento para transformar máquinas pesadas em sistemas semi-autônomos por meio de retrofit de equipamentos, sensores e IA.
Naquele momento, a mensagem era clara: a automação de campo começava a deixar de ser promessa para se tornar infraestrutura estratégica do canteiro de obras.
A combinação de IA e robótica foi uma das grandes trends de 2025.
Nesta semana, a empresa anunciou uma nova rodada de US$ 270 milhões (Series B), elevando o total captado para mais de US$ 350 milhões e alcançando o status de unicórnio.
O movimento não apenas valida a tese, ele a acelera.
O que convergiu com a tese anterior
Retrofit como estratégia de adoção
A Bedrock segue apostando no mesmo caminho: transformar equipamentos existentes em máquinas autônomas, em vez de exigir substituição total do parque instalado.
Isso continua sendo um diferencial competitivo relevante. O setor é intensivo em CAPEX e avesso a mudanças bruscas. Reduzir fricção de adoção é metade da batalha.Foco na automação de campo, não só em software
A tese central permanece intacta: a próxima fronteira de produtividade na construção não virá de ERPs melhores ou dashboards mais inteligentes. Ela está no chão do canteiro.
Escavadeiras, tratores e perfuratrizes operando com menor dependência de mão de obra altamente especializada, maior precisão e menor risco operacional. Esse é o núcleo da disrupção.Macro drivers continuam os mesmos – e mais intensos
Escassez global de operadores qualificados
Pressão por prazos e margens
Maior exigência por segurança
Projetos de infraestrutura cada vez mais complexos
O pano de fundo estrutural não mudou. Pelo contrário, ficou mais evidente.

O que mudou – e importa
A principal diferença não está no produto, mas na escala da ambição.
A entrada de investidores como CapitalG (Alphabet), NVentures (NVIDIA) e outros fundos institucionais relevantes sinaliza que a narrativa saiu do nicho “construtech interessante” e entrou no radar de tecnologia profunda aplicada a indústrias tradicionais.
Isso muda o jogo por três razões:
Capacidade de P&D em larga escala
Autonomia em ambientes não estruturados (como canteiros) é um dos desafios mais complexos da robótica aplicada. Capital intensivo acelera esse ciclo.
Infraestrutura de IA embarcada
O avanço recente em modelos de percepção, visão computacional e edge computing torna a proposta tecnicamente mais viável hoje do que era há poucos anos.
Validação institucional do setor
Quando grandes fundos de tecnologia entram, a mensagem implícita é: construção não é mais apenas um mercado “tradicional”. É uma fronteira de aplicação para deep tech.
O que não divergiu (e isso é relevante)
Não houve mudança de direção estratégica.
Não houve pivô para software puro.
Não houve abandono da tese de retrofit de máquinas.
A empresa dobrou a aposta na mesma visão.
Isso reforça um ponto importante: a revolução na construção não está acontecendo de forma explosiva e visível como no software. Ela é gradual, capital-intensiva e estrutural.
Mas está acontecendo.
O sinal mais importante
Sete meses atrás, US$ 80 milhões já eram um indicador forte.
Hoje, US$ 270 milhões mostram que a automação pesada de campo está migrando de “categoria emergente” para “infraestrutura estratégica”.
Se somarmos isso ao volume crescente de investimento em Core Construction e automação, fica evidente um padrão:
A digitalização administrativa foi a primeira onda.
A industrialização offsite é a segunda.
A autonomia de campo pode se consolidar como a terceira.
Cada nova rodada como essa não é um evento isolado.
É mais um dado na curva.
A produtividade da construção sempre foi tratada como um problema crônico.
O capital começa a tratá-la como uma oportunidade tecnológica de escala global.
Últimos dias para garantir a sua vaga na 2a turma do Bootcamp Executivo de Funding Imobiliário
Se você acompanha nossos conteúdos, o contexto está bem claro:
Em 2026 não vai faltar capital, mas será mais difícil passar no filtro.
O Bootcamp nasceu justamente dessa dor recorrente:
Empreendedores com bons ativos, boa tese, mas sem estrutura, narrativa e capital stack ajustados ao que o investidor realmente analisa.
Se você está captando ou vai captar em 2026, precisar estar preparado. Clique no botão para saber como participar:
Ainda tem dúvida e gostaria de mais detalhes? Entre em contato clicando aqui
RADAR PRO
Como um time de hóquei pequeno virou o 3º mais lucrativo dos esportes (e o que Real Estate tem a ver com isso)
Quando a Forbes divulgou que o Edmonton Oilers atingiu US$ 244 milhões de lucro operacional (EBITDA), o mercado se espantou.
Como um time de hóquei, sediado em uma cidade gelada de apenas 1,5 milhão de habitantes, superou marcas globais como Manchester United (~US$ 185M), New York Yankees (~US$ 143M) e LA Lakers (~US$ 115M)?
A resposta não está no gelo. Está no tijolo.

Diferente dos gigantes que dependem de direitos de TV e venda de camisas, o Oilers desenhou uma reengenharia completa do modelo de negócio ancorada no ICE District: um desenvolvimento de uso misto de 25 acres onde o time controla tudo – da arena ao hotel, do escritório ao cassino.
A lógica é muito eficiente: em uma cidade onde o inverno chega a -30°C, o distrito foi desenhado para eliminar a fricção de saída. O torcedor entra e gasta com alimentação, hospedagem e entretenimento, tudo conectado e climatizado, com 100% da receita capturada pela holding do time.
O hóquei gera o fluxo. O real estate captura o valor.
No Radar Pro dessa semana, mostramos como funciona essa "engrenagem de retenção de gastos", o papel do Community Revitalization Levy (CRL) no financiamento da obra e por que o controle do solo vale mais do que o tamanho da torcida.
INVESTOR TRACK
Astropolitics & Real Estate: por que investidores imobiliários deveriam olhar para o espaço
Parece ficção, mas é apenas infraestrutura.
Nos últimos cinco anos, o espaço deixou de ser um domínio científico e militar para se tornar econômico.
Com a economia espacial projetada para atingir US$ 1 trilhão antes de 2040, estamos diante de uma nova corrida do ouro – ou melhor, de uma nova rota de navegação.
Assim como os portos e ferrovias redesenharam o mapa de valor das cidades no século XIX, a Astropolitics está começando a definir os novos hubs de capital do século XXI.
O gatilho foi o colapso dos custos. O lançamento de um foguete, que custava US$ 54.000/kg no ônibus espacial, deve cair para US$ 100/kg com a Starship da SpaceX.

Isso viabiliza desde energia solar orbital até manufatura em microgravidade.
Mas o impacto mais tangível para o real estate está na construção.
A NASA e a ICON já validaram tecnologias para imprimir infraestrutura na Lua usando poeira local (regolito). O que hoje é teste lunar, amanhã será a tecnologia que permitirá construir em áreas remotas da Terra com custo marginal próximo de zero.
No Investor Track dessa semana, explicamos como a corrida espacial vai redefinir a geografia de dados e energia, quais cidades estão se posicionando como os novos "portos espaciais" e por que a SpaceX deve ser analisada como uma operadora de infraestrutura, e não uma empresa aeroespacial.
NO NOSSO RADAR
Leia também:
Porque a bolha de IA não é a mesma que a pontocom
Empresas vão além da Faria Lima para instalar seus escritórios
Startup que é o Airbnb da logística capta investimento
10 gráficos que mostram momento do mercado imobiliário americano
O apocalipse Saas começou e US$ 300 bi evaporaram
Engenheiros do MIT usam plástico reciclado com impressão 3D
FIQUE DE OLHO
Leia as últimas edições:
FEEDBACK
Se gostou do conteúdo, encaminhe para um conhecido seu

