#144: Corretores agora podem vender tokens de imóveis

Da regulamentação dos tokens ao avanço do funding verde

Na última edição do Radar, trouxemos um framework inédito para empreendedores imobiliários que vivem na pela os desafios da captação para seus projetos. Clique aqui e confira!

ABERTURA

O imóvel traz patrimônio, mas muitas vezes não gera liquidez.

A tokenização tem potencial para ser uma solução, e aos poucos avança no arcabouço regulatório.

Só que tudo isso perde valor se estivermos falando de um ativo com risco climático elevado.

Cada vez mais os temas se cruzam e são as colisões que potencializam as oportunidades (ou ameaças) no mercado imobiliário.

Nessa edição, destrinchamos o novo marco regulatório da tokenização, mostramos como o crédito verde irá virar vantagem competitiva e analisamos a contradição dos everyday millionaires travados em seus ativos.

Boa leitura!

Na edição de hoje:

  • 🏘️ Corretores de imóveis foram autorizados a vender tokens imobiliários.

  • 🌱 "Funding verde" passa de diferencial a pré-requisito no crédito para construção.

  • 💰 O aumento de milionários com patrimônio concentrado em ativos de baixa liquidez.

  • 🎙️ Você pode ouvir essa edição clicando aqui

TOKENIZAÇÃO

O corretor de imóvel está autorizado para vender tokens imobiliários

A tokenização imobiliária está avançando para transformar a maneira como ativos imobiliários são negociados, financiados e administrados.

Na última semana, o COFECI (Conselho Federal de Corretores de Imóveis) publicou a Resolução nº 1.551, criando as primeiras regras formais para a tokenização de imóveis no Brasil.

Segundo a Deloitte, até 2035 poderemos ter US$ 4 trilhões em real estate tokenizado no mundo. Falamos sobre isso nesta edição.

A nova norma do COFECI é o primeiro movimento oficial para estruturar esse novo modelo no Brasil.

Por que isso é importante?

A importância da norma está em buscar trazer regulação e legitimidade para um mercado que até então operava de forma dispersa e sem supervisão oficial. 

Com a resolução do COFECI, o setor passa a ter um marco mínimo de organização, definindo responsabilidades claras e criando um guarda-chuva regulatório que aumenta a segurança de corretores, investidores e plataformas. 

Além disso, a norma abre espaço para inovação dentro de um ambiente controlado. Permitindo que novas formas de captação e investimento sejam exploradas sem perder de vista a necessidade de ordem e proteção aos agentes envolvidos.

Mas… e os limites disso?

Apesar do avanço, a norma parece ainda não ser unanimidade. Especialistas apontam que ela tem limitações estruturais importantes:

O COFECI é uma autarquia corporativa de direito público não é CVM, nem Banco Central.

Ou seja:

  • A norma vale só para corretores e suas plataformas parceiras;

  • Não substitui a regulação da CVM, que pode entender certos tokens como valores mobiliários, dependendo do modelo de negócio.

Com isso a insegurança jurídica na distribuição de tokens ainda pode persistir.

Isso deixa o mercado vulnerável a interpretações diferentes entre CVM, Receita, cartórios e tribunais.

Falta integração com o sistema registral e financeiro

Não há ainda uma ponte formal entre a tokenização e os registros cartoriais, nem com os grandes bancos, cartórios ou órgãos públicos. 

O risco? Os tokens circularem em um “mundo paralelo”, sem amparo legal suficiente em disputas ou execuções.

O IRIB destacou que a Resolução nº 1.551/2025 do COFECI ultrapassa os limites de competência do Conselho e apresenta inconstitucionalidades, devendo ser considerada inválida em sua totalidade.

A polêmica não vai parar por aqui. Mas vemos o movimento com um misto de otimismo com cautela.

O que está realmente em jogo?

Independente de qualquer opnião o fato é que a resolução é mais do que uma norma — ela é uma declaração de intenção do COFECI:

“Corretores de imóveis não vão ficar de fora do futuro digital da intermediação imobiliária.”

Esse movimento:

  • Reposiciona os corretores como agentes de inovação, não só de intermediação tradicional;

  • Abre portas para novos modelos de negócio, plataformas especializadas e parcerias com o mercado financeiro;

  • E coloca o Brasil em linha com tendências globais de fracionamento e liquidez de ativos reais.

Mas ainda é só o começo.

DESCARBONIZAÇÃO

Funding verde na construção: de diferencial a pré-requisito

O mercado imobiliário está entrando em uma nova era. Captar recursos dependerá cada vez mais do impacto climático dos projetos.

O chamado funding verde, antes restrito a nichos ESG, vai ganhando influência no crédito, precificação, risco e viabilidade de empreendimentos. Quem não se adaptar, ficará para trás.

Avanço da regulação e o green premium

A construção responde por 40% das emissões globais de CO₂.

Europa e EUA já impõem regulações: prédios ineficientes sofrem penalizações e desvalorização — o chamado brown discount.

No Brasil, grandes locatários e investidores já exigem disclosure ambiental e planos de mitigação, mesmo sem legislação rígida.

Estudo da EPRA mostrou que títulos verdes tiveram custo de capital menor (o chamado green premium), mostrando o benefício de desenvolver projetos com impacto climático positivo. 

É a descarbonização e o funding entrando em rota de convergência.

Brasil avança e alternativas de funding ponderam novos critérios

Mesmo com matriz elétrica limpa, o Brasil tem enorme potencial para descarbonização do setor. 

Iniciativas como edifícios net-zero até 2029, Plano Net Zero 2050 em SP e IPTU Verde em cidades como Curitiba e Salvador mostram avanço. Essas ações geram valor e atratividade aos ativos urbanos.

Bancos como Itaú e Santander entendem isso e já oferecem crédito com condições especiais para projetos certificados — como o Plano Empresário Verde. 

Os benefícios incluem 100% de financiamento, liberação antecipada e repasse. 

O crédito para projetos “marrons” está ficando mais caro e escasso.

Matemática do funding verde é simples

Um projeto de R$ 100 milhões com VGV de R$ 200 milhões pode gerar R$ 39,6 milhões de resultado financiado no plano empresário tradicional e demandando sócios no equity.

Com plano empresário verde, o resultado pode subir para R$ 48 milhões e sem a necessidade de novos sócios para dividir o bolo.

Não é utopia ESG: é eficiência financeira.

Para quem está interessado em saber mais sobre as alternativas de funding e os incentivos à descarbonização do setor, falamos sobre o tema no Radar Pro dessa semana.

INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO

A ascensão silenciosa dos EMILLIs

Estamos vendo a explosão no número de pessoas com patrimônio entre US$ 1M e US$ 5M — os chamados everyday millionaires

De 2001 a 2024, esse grupo cresceu de cerca de 10 milhões para mais de 52 milhões, segundo o UBS Global Wealth Report 2025.

Mas o dado mais relevante não está só na linha azul. Está na contradição que ela esconde: Muitos desses milionários vivem uma sensação de estagnação financeira.

Esses milionários do dia a dia, ou EMILLIs (Everyday Millionaires with Low Liquidity Investments), têm seu patrimônio concentrado em ativos — principalmente imóveis — mas pouca liquidez, agilidade e eficiência.

No Brasil, 250 mil pessoas vivem essa realidade.

São ricos na escritura, mas com a vida financeira travada, conhecidos pelo termo em inglês house poor.

Com 65% da riqueza das famílias brasileiras concentrada em imóveis, muitos acumulam patrimônio, mas não conseguem movimentá-lo com inteligência.

O resultado é um perfil de investidor que:

  • Tem pouco retorno real.

  • Está preso a ativos ilíquidos.

  • Perde boas oportunidades por falta de flexibilidade.

Caminhos para sair do ciclo

O novo ciclo de riqueza exige repensar o portfólio. Não se trata de abandonar o mercado imobiliário, mas de explorar novas formas de investir:

  • FIIs, CRIs e estruturas com renda previsível e liquidez.

  • Multifamily, co-GPs e club deals com eficiência operacional.

  • Ativos digitais e infraestrutura como data centers e redes de fibra.

  • Tokens lastreados, crowdfunding e private equity no setor.

A otimização da carteira pode ampliar a geração de riqueza.

O acréscimo de 1 ponto percentual apenas no retorno composto ao longo de 20 anos pode fazer toda diferença na construção de patrimônio sem precisar mais capital, apenas mais estratégia.

O tema foi pauta de nossa última edição do Investor Track, nossa nova série de conteúdos para investidores. Para acessar a edição dessa semana clique aqui.

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