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#173: Sustentabilidade como estratégia de funding

Como atributos ambientais estão alterando risco percebido, ampliando base de investidores e comprimindo custo de capital

Bruno Loreto
Bruno Loreto

Mar 27, 2026

ABERTURA

O mercado de green bonds ultrapassou US$ 500 bilhões em emissões anuais. Na construção, plataformas de video coaching já reduziram sinistros em mais de 50% em pilotos operacionais.

Sustentabilidade e inteligência artificial são dois dos temas mais repetidos no setor. E, justamente por isso, dois dos mais esvaziados. Todo mundo fala. Pouca gente sabe dizer o que muda.

O que separa discurso de resultado é modelo. Não basta adotar o tema. Precisa conectar ao negócio de um jeito que altere como o capital entra ou como a operação performa.

A Setin fez isso com sustentabilidade. Não tratou como certificação ou reputação. Conectou atributos ambientais à estratégia de funding. O efeito: risco percebido cai, base de investidores cresce, custo de capital comprime.

No canteiro, a Suffolk mostrou algo parecido com IA. Câmeras de obra já existiam. O que não existia era um loop onde o vídeo de hoje vira ajuste de comportamento amanhã. O resultado não veio da tecnologia. Veio do processo que ela alimenta.

Nos dois casos, o padrão é o mesmo: quando o tema sai do slide e entra na operação, ele para de ser discurso e começa a dar resultado.

Boa leitura!

Setin e o funding verde

Meses atrás, falamos sobre um deslocamento relevante: a agenda ambiental começando a influenciar, a lógica de funding no setor, a ascensão do funding verde. 

Desde então, esse movimento vem deixando de ser periférico.

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O mercado de green bonds ultrapassou US$ 500 bilhões em emissões anuais e passou a ocupar um espaço estrutural na infraestrutura financeira global. Não se trata mais de capital “temático”, mas de capital que começa a reprecificar risco.

Isso expõe um desalinhamento comum dentro das empresas. Sustentabilidade ainda é frequentemente tratada como certificação, reputação ou compliance. Importante – mas insuficiente.

Mas o ponto central não é reputacional. É econômico.

Quando atributos ambientais melhoram previsibilidade, reduzem obsolescência e elevam a qualidade do ativo, eles alteram a percepção de risco. E, ao alterar risco, alteram capital.

É onde entra a lente de arquitetura de capital: quem financia, em que condições, com qual prazo e a que custo. Capital não é neutro – ele responde a risco percebido.

Se sustentabilidade reduz esse risco, três efeitos começam a aparecer:

  • ampliação da base de investidores

  • melhora na qualidade do funding

  • potencial compressão do custo de capital

Mais do que teoria, analisamos em detalhe esse movimento e como a Setin vem incorporando isso na prática.

A empresa não apenas incorporou sustentabilidade no produto, mas começou a conectar esses atributos à sua estratégia de funding. 

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Na análise completa, destrinchamos como essa lógica se materializa, como ela muda a dinâmica entre incorporadores e investidores, e o que isso ensina para incorporadores que podem se inspirar em seguir o mesmo caminho. Clique aqui para acessar (sem paywall)

IA e o Video Coaching no canteiro de obras

A inteligência artificial segue como uma das grandes pautas de 2026 – mas cada vez menos pelo discurso e mais pela dificuldade de encontrar aplicações que realmente mudem o jogo.

Na construção, isso é ainda mais evidente. Apesar do volume de soluções, poucas saem do “nice to have” e impactam custo, risco ou produtividade no canteiro.

A Suffolk traz um possível caminho.

A construtora americana passou a usar a Arrowsight, uma plataforma de video coaching para segurança em obras. Não é sobre instalar câmeras – isso já existe. É sobre transformar vídeo em aprendizado operacional.

O modelo é simples: o que acontece hoje vira material de ajuste amanhã.

As imagens do canteiro são analisadas – ainda com forte componente humano – para identificar comportamentos de risco e boas práticas.

Trechos relevantes viram clipes curtos que retornam para a obra no dia seguinte e são usados em reuniões rápidas com as equipes.

Na prática, é um “replay” da operação.

Os resultados ajudam a explicar a tração: em um piloto com a Zurich, houve mais de 50% de redução na frequência de sinistros e um salto relevante em compliance, saindo de ~70% para até 97–100% em itens críticos.

Mas o ponto não é o número.

O diferencial não está na câmera – nem na IA isoladamente – mas no loop que se cria:

Isso transforma a segurança de algo reativo – baseado em acidentes – para um modelo preventivo e contínuo.

E aqui está a leitura mais relevante: apesar do uso de IA, o que move o resultado ainda é humano.

A IA ajuda a escalar a identificação de padrões.

Mas é a operação – na forma como interpreta, comunica e ajusta comportamento – que fecha o ciclo.

Sem isso, o vídeo vira só mais um dashboard.

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A provocação é direta: em um mundo onde todos falam de IA, o diferencial pode não estar em quem tem a tecnologia – mas em quem consegue mudar comportamento no campo.

Se esse modelo escalar, o impacto vai além da segurança. Aponta para um canteiro mais treinável, mais adaptável e potencialmente mais produtivo.

Se não, reforça o padrão do setor: o gargalo raramente é tecnologia – é execução.

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INVESTOR TRACK

Stablecoins podem ser o novo meio de pagamento imobiliário?

Stablecoins já representam mais de US$ 300 bilhões em valor total.

O volume anual de transações passa de US$ 27 trilhões. Visa, Mastercard e reguladores de vários países já operam nesse trilho.

Não é mais nicho cripto. É infraestrutura de pagamento.

No Brasil, o uso cresceu depois do aumento do IOF sobre operações internacionais. A adoção não veio por afinidade com tecnologia. Veio por conta: menor custo, maior velocidade, menos atrito.

Para o imobiliário, o ponto de contato é um só: operações com capital internacional. Transferência bancária, conversão cambial, spread, compliance, dias de liquidação. 

É uma das partes mais lentas e caras de uma transação entre países. Com stablecoin, o mesmo fluxo pode ser liquidado em minutos, a uma fração do custo, sem alterar o processo jurídico local.

O ativo continua local. 
O sistema cartorial continua local. 
Mas o dinheiro começa a deixar de ser.

Na edição dessa semana do Investor Track:

  • O que são stablecoins e por que são diferentes de criptomoedas

  • Por que a adoção está acelerando agora

  • Como seria uma transação imobiliária internacional usando stablecoin

  • Dados de intenção de uso em mercados emergentes

  • O que ainda não fecha sozinho o case da Propy

Clique aqui para acessar

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